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Espaço de prática espiritual com velas acesas e tigela sobre tapete

Eventos e Cerimônias Kongoji

Público·15 membros

Cerimônia do Fogo 05/07/2026


No dia 5 de julho de 2026, realizamos mais uma Cerimônia do Fogo (Goma), reunindo fiéis e visitantes para um momento de oração, reflexão e renovação espiritual.


Naquele domingo, a cerimônia coincidiu com um dia muito aguardado pelos brasileiros: horas depois seria realizada a partida entre Brasil e Noruega pela Copa do Mundo. Mesmo com a expectativa em torno do jogo, muitos participantes reservaram esse momento para estar no templo, demonstrando sua confiança na prática espiritual. Embora o número de presentes tenha sido um pouco menor que o habitual, ficamos profundamente gratos a todos que escolheram iniciar o dia em oração.


Em sua homilia, o monge iniciou fazendo uma referência bem-humorada à vitória do Brasil sobre o Japão na partida anterior. Contou que, por ser japonês, naturalmente torceu pela seleção do Japão, mas que também se alegrou com a classificação brasileira. Recordou ainda a admiração que muitos japoneses nutrem pela seleção do Brasil desde a conquista da Copa do Mundo de 2002, realizada no Japão.


O monge destacou um momento que o marcou profundamente após o fim daquela partida: o instante em que o jogador Matheus Cunha abraçou um atleta japonês que permanecia caído no gramado, dirigindo-lhe palavras de consolo e respeito. Para ele, aquela atitude revelou uma importante virtude: mesmo na alegria da vitória, é possível agir com humildade, compaixão e consideração pelo outro.


A partir desse exemplo, explicou um ensinamento fundamental do Budismo: em nossa existência, os aspectos positivos e negativos caminham juntos. Quando recebemos uma bênção, não devemos esquecer que, por trás dela, existem o esforço, a dedicação e, muitas vezes, o sacrifício de outras pessoas. Da mesma forma, quando enfrentamos dificuldades, somos convidados a procurar nelas um aprendizado, uma oportunidade de crescimento espiritual e uma manifestação da compaixão do Buda.


Retomando a reflexão apresentada na cerimônia anterior, o monge recordou que todo o universo é sustentado pela compaixão de Dainichi Nyorai, o Grande Buda Cósmico. Por isso, a prática mais essencial da fé consiste em continuar confiando nessa compaixão, independentemente das circunstâncias.


Como forma de aproximar essa mensagem de outras tradições religiosas, citou também a Primeira Carta aos Tessalonicenses: "Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças." A passagem reforça a importância da gratidão e da perseverança espiritual, valores que encontram profunda sintonia com os ensinamentos budistas.


Ao encerrar sua mensagem, o monge comentou, em tom descontraído, que, se todos torcessem pelo jogo daquele dia mantendo esse coração de gratidão e confiança, certamente também haveria a graça de Deus e do Buda naquela partida.


Embora, posteriormente, o Brasil tenha sido derrotado pela Noruega, a reflexão daquele dia permaneceu como o verdadeiro ensinamento da cerimônia: vitórias e derrotas fazem parte da vida, mas a fé nos convida a acolher todas as circunstâncias com humildade, gratidão e confiança na compaixão do Buda.

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