Missa dos Antepassados (Odaishi-ko) e Osegaki: um dia de gratidão e compaixão

No dia 16 de agosto de 2026, reunimos nossa comunidade para celebrar a missa dos antepassados, o Odaishi-ko, e, nesta mesma ocasião, realizamos também o Osegaki, uma das cerimônias mais significativas da tradição budista japonesa. Foi um encontro de recolhimento, gratidão e compaixão — valores que atravessam gerações e continuam vivos em cada gesto do ritual.
O que é o Osegaki?
Para quem ainda não conhece, o Osegaki é uma cerimônia dedicada ao alívio do sofrimento dos chamados "espíritos famintos" — aqueles que, por diferentes razões, partiram sem deixar familiares que pudessem prestar-lhes homenagens ou realizar orações em seu nome. É, acima de tudo, um ritual de compaixão: um momento em que dedicamos méritos e orações a todos os seres, para que encontrem conforto, paz e, no fim, a libertação do sofrimento.
Embora possa ser celebrado em qualquer época do ano, o Osegaki tem um vínculo profundo com as cerimônias memoriais dedicadas aos antepassados, como as celebrações de Obon — o que faz da sua combinação com a missa do Odaishi-ko um encontro especialmente significativo.
A origem da cerimônia
Durante o culto, o monge compartilhou conosco a história que dá origem a essa tradição. Conta-se que um homem foi certa vez visitado por um espírito faminto, que o alertou: em três dias, ele também cairia naquele mundo de sofrimento, caso não fizesse oferendas a todos os espíritos famintos. Aflito e sem saber como cumprir tamanha tarefa, o homem foi buscar orientação junto ao Buda.
A resposta de Buda, porém, foi além do que se esperava: mais do que simplesmente oferecer alimentos, era preciso realizar um culto memorial e entoar os sutras. Seria por meio dos méritos gerados pela oração e pela prática religiosa — e não apenas pela oferenda material — que os espíritos poderiam, enfim, ser libertados da fome e conduzidos à paz.
É dessa história que nasce a essência do Osegaki: cultivar a compaixão, oferecer preces e dedicar méritos a todos os seres, para que encontrem alívio e, um dia, a iluminação.
Como se deu o ritual
A comunidade participou ativamente da cerimônia. Cada pessoa ofereceu vegetais picados como parte das oferendas e, em seguida, mergulhou uma folha na água, salpicando-a sobre os sotobas — tabuletas de madeira utilizadas em rituais budistas japoneses como forma de homenagem e dedicação de méritos aos antepassados e aos espíritos.

Ao final, cada participante recebeu uma pequena bandeira, que — assim como os sotobas — foi deixada na capela do Jizo Bosatsu, dentro do templo.
Por que na capela do Jizo Bosatsu?
Essa escolha não é por acaso. Jizo Bosatsu é uma das figuras mais queridas do budismo japonês, reverenciada como protetora e guia de todos os que sofrem — especialmente aqueles que atravessam os diferentes reinos da existência entre a morte e um novo começo. É comum encontrá-lo representado como um monge de cabeça raspada, com um cajado em uma das mãos, símbolo de sua missão de despertar os seres da ilusão e conduzi-los com compaixão.
Encerrar o Osegaki diante de Jizo Bosatsu reforça justamente o espírito da cerimônia: colocar sob os cuidados dessa presença compassiva as orações e os méritos dedicados a todos os espíritos, para que encontrem acolhimento e caminho até a paz.
Um encontro de fé e comunidade
Mais do que um ritual, o Odaishi-ko com Osegaki foi um momento de reunir a comunidade em torno de um propósito comum: lembrar, honrar e cultivar compaixão por todos os seres, visíveis e invisíveis.
Agradecemos a todos que estiveram presentes e participaram com tanto respeito e dedicação.
Que os méritos gerados neste dia tragam paz e alívio a todos os espíritos, e que a compaixão cultivada aqui continue a nos guiar em nosso caminho.
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