A PRÁTICA DO BUDISMO ESOTÉRICO SHINGON: MANTRAS
- kongojisuzano

- 10 de jun.
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de jul.
Sobre a prática
Os diversos mantras e o sutra Hannya Shingyō, o Sutra do Coração, apresentados no texto “AS ONZE ORAÇÕES FUNDAMENTAIS”, correspondem às práticas mais fundamentais da Escola Shingon.
É possível realizar a prática litúrgica¹ completa, mas cada praticante pode escolher livremente apenas as partes que deseja recitar e combiná-las conforme sua própria prática. Na realidade, muitos praticantes fazem assim, realizando uma prática diária adequada à sua vida de fé. Também não há nenhum impedimento em dedicar-se à recitação de apenas um único mantra.
O número básico de recitações é três vezes. Contudo, quando não houver uma indicação específica, basta recitar uma única vez. De acordo com a vontade do praticante, o número de recitações também pode ser aumentado para sete, vinte e uma, cem ou até mil vezes.
No entanto, de modo geral, mesmo que o número de recitações seja pequeno, uma prática realizada com atenção, sinceridade e cuidado é superior a uma grande quantidade de recitações feitas sem concentração suficiente.
Quando se recita um mantra repetidas vezes, normalmente utiliza-se um rosário budista chamado juzu. Ao completar uma volta, considera-se que o mantra foi recitado cem vezes. Na realidade, o rosário possui 108 contas, mas, segundo a tradição, cada volta é contada como cem recitações. O número 108 também representa a quantidade dos desejos e paixões humanas.
Ao longo de uma volta, há marcadores na sétima e na vigésima primeira conta, que podem ser utilizados durante a recitação dos mantras. Eles ajudam a acompanhar a contagem sem perder a concentração no mantra.
Atualmente, também é possível encontrar juzu no Brasil por diferentes meios. Ainda assim, para quem não possui um ou prefere outra forma de prática, pode-se confeccionar um juzu simples com contas ou utilizar uma ampulheta ou um cronômetro como referência de tempo, sem ficar preso apenas à contagem dos números.
Durante a recitação, você pode segurar o texto nas mãos. Também pode colocá-lo sobre uma mesa ou em um suporte e recitá-lo dessa forma. Depois que o conteúdo estiver memorizado, o texto deixa de ser necessário.
Quando não estiver segurando o texto, você pode manter as mãos em gasshō, com as palmas unidas, ou realizar o Kongō Gasshō, um mudrā do Budismo Esotérico.
Esse mudrā simboliza a completa união entre o Buda e você.

Se possível, o ideal é imprimir apenas os trechos que serão efetivamente recitados ou copiá-los à mão em uma folha de papel. No entanto, não há problema em utilizar a tela do celular. Nesse caso, recomenda-se colocar o aparelho em modo avião, para interromper as comunicações durante a prática.
Ao utilizar o celular, procure sempre manter uma atitude de respeito e reverência, a fim de preservar o caráter sagrado da prática.
Você pode realizar o gongyō (prática litúrgica diária) de acordo com o seu estado de espírito. No entanto, na maioria dos casos, é mais benéfico manter a prática diariamente, mesmo que por pouco tempo.
Quando a prática deixa de depender apenas do humor ou da motivação do momento e se transforma em um compromisso cotidiano, ela tende a criar novos hábitos saudáveis e um ciclo positivo na vida.
Isso também ajuda a enfraquecer o apego do ego ao desejo de controlar tudo e a consciência excessivamente centrada em si mesmo, favorecendo o desenvolvimento de uma mente mais aberta ao despertar.
Não há nenhuma especificação sobre a velocidade. Encontrem o seu próprio ritmo. Porém, a qualidade é mais importante do que a quantidade. Primeiro deve-se elevar a qualidade e depois aumentar a quantidade.
A altura da voz também deve ser ajustada de acordo com o ambiente de cada pessoa. Nunca aumentem a voz em uma situação em que isso possa causar desconforto à família ou a outras pessoas. Na verdade, para iniciantes, uma voz mais alta pode facilitar a concentração, mas é superior conseguir se concentrar com uma voz mais suave e cuidadosa. Quando o nível de prática aumenta ainda mais, chega-se à recitação do mantra em silêncio, dentro da própria mente. Assim, será possível praticar em qualquer lugar, como no trem, no trabalho ou em qualquer outro ambiente.
Não existe uma exigência específica sobre o ambiente para a prática. Porém, sempre que possível, é desejável um ambiente limpo, organizado e silencioso. Não pratiquem em lugares onde a prática possa causar desconforto a outras pessoas.
Também é permitido imprimir uma imagem de Buda encontrada na internet, colocá-la em um porta-retrato e utilizá-la como um símbolo para concentração e devoção.
Também podem ser feitas diversas oferendas.
É permitido acender velas e incenso durante a prática, mas isso não é obrigatório. Caso sejam utilizados, recomenda-se atenção aos cuidados com o fogo.
Quanto ao incenso, algumas variedades encontradas no Brasil podem apresentar aroma mais intenso em comparação com os incensos tradicionalmente utilizados no Japão. Por isso, recomenda-se escolher incensos de boa qualidade ou, se preferir, realizar a prática sem utilizá-los.
(Nas práticas de veneração aos antepassados, nas práticas voltadas aos espíritos e nos rituais conduzidos pelos monges, o incenso possui um significado e uma importância maiores.)
O texto “Comentário sobre a prática do Budismo Esotérico Shingon” contêm explicações sobre o Sutra do Coração da Sabedoria (Hannya Shingyō), sobre diversos mantras e sobre pronúncia. As explicações tem como objetivo apenas auxiliar a prática, e não estabelecer uma exigência de recitação absolutamente correta.
O mais importante é uma atitude sincera.
Com isso, qualquer forma de prática pode se tornar uma prática maravilhosa.
Além disso, o texto “Comentário sobre a prática do Budismo Esotérico Shingon”, tornou-se não apenas uma explicação da prática, mas também um excelente texto para compreender a essência do Budismo e do Budismo Esotérico. Sua leitura é recomendada mesmo para aqueles que não realizam a prática.
Então, boa prática.
Notas explicativas
Litúrgica — Relativa à liturgia, isto é, ao conjunto de práticas, recitações, rituais e cerimônias realizados em uma tradição religiosa. No contexto do Budismo Shingon, refere-se à sequência formal de mantras, sutras, mudras e outras práticas que compõem o serviço religioso ou a prática devocional.






Muito bom este texto. Muito explicativo.